segunda-feira, 2 de abril de 2012

Tribos urbanas lutam para sobreviver pacificamente em sociedade


      É comum percebermos que grupos sofrem preconceito pelo simples fato de se vestirem de determinada maneira ou terem o gosto musical distinto. Isso tudo acontece porque o diferente incomoda. Segundo movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), 2011 foi o ano que mais se matou homossexuais na Paraíba: foram mais de 20 assassinatos. Também existem casos de heterossexuais que sofrem descriminação por defender homossexuais, como ocorreu com Max Nunes Xavier, de 24 anos, que foi morto ano passado ao defender em uma briga um casal gay. Na Paraíba, o movimento LGBT é representado pelo MEL (Movimento do Espírito Lilás) que tem como missão a promoção e defesa dos direitos e cidadania dos homossexuais.
(Foto: Thaís Silveira)
      Muitas vezes quando vemos passar uma pessoa que gosta e luta para ser diferente do que a sociedade considera comum, ouve-se ou pensa-se nas famosas frases: “Que sem noção”, “como alguém se veste assim?”, “isso é coisa de quem não tem o que fazer”, “nossa”. Na verdade, o comportamento humano resulta dos fatores internos e externos que vivemos, como personalidade, cultura, expectativas e experiências de vida. Segundo a psicóloga Adaluza Barbosa de Lima, “a sociedade vive em um padrão, quando umas pessoas fogem desse padrão, eles vão ficar na margem da sociedade. Se você se identifica com a cor preta ou rock pesado, é natural que você vá buscar o grupo que se aproxima mais com a sua personalidade, os iguais se procuram, quando estão em conjunto se sentem fortalecidos e respeitados. Grupos relacionados à música e ideologias, eles vão em geral até certa idade: quando essas pessoas descobrem outra forma de agir e pensar, ou a própria sociedade os enquadram. Em relação aos grupos de orientações sexuais, a sociedade deveria ver com outros olhares, as pessoas já são esclarecidas, têm acesso a informações e conhecimentos, mas ainda existe tanto preconceito, elas não entendem que a orientação sexual é uma escolha individual, que cada um faz sua opção e devem ser respeitadas, e infelizmente há um julgamento a respeito desse assunto. Os jovem precisam ter olhares respeitosos os com os outros".
(Foto: Ana Paula Almeida)
       Algumas tribos aqui no Estado vêm ganhando seu espaço nos últimos anos. É o caso dos Cosplay, um grupo onde as pessoas se inspiram, vestem-se e interpretam personagens de Mangá, desenho animado e vídeo game. A mostra de cultura nipônica e norte-americana, que desde 2006 tem repercussão em João Pessoa, tem como principal características a criatividade. Segundo J.C, seguidor do grupo, “alguns acham bonito, é uma forma de teatro, para outros é nostálgico porque interpretam seus personagens preferidos. Quem faz Cosplay é Cosplay.”
      Frequentadores assíduos do centro histórico e de bares da capital paraibana, como o Carboni e o Café Empório, veem outro grupo ganhar bastante destaque, os genericamente chamados alternativos. Inspirados na música rock e no estilo retrô, têm seu suas características de vida baseadas no liberalismo, ou seja, não seguir regras rígidas e se divertir sem preconceitos.
     Mesmo diferentes, todas essas comunidades "alternativas", sejam elas LGBT, hippies, Cosplay ou outras, sofrem de um problema em comum: o preconceito. Ele pode se manifestar de várias formas, seja para arrumar emprego ou simplesmente conviver pacificamente com a sociedade. Às vezes, existe rivalidade entre alguns grupos, mas a maioria dessas tribos não são destrutivas. Essas pessoas lutam para ser diferentes, mas, todos buscam a mesma coisa: a verdadeira identidade e respeito.

Mais informações:

                                                                         
Por Ana Paula Almeida, Bianca Mayara, Érika Carvalho, Ester Rege, Mateus Silomar e Rebeka Paiva.

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